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sábado, 7 de maio de 2011

DO QUÊ OS ANIMAIS PRECISAM?

Pet Fashion Week. Nem luxo, nem lixo

Por Wilson Grassi

                                                                                                        Foto: Evento em foco

Para mim e muitas outras pessoas é difícil não ficar indignado ao ver poodles tingidos de cor de rosa, tosas estilizadas e adereços inúteis, como os que pontuaram a edição paulistana do Pet Fashion Week, em sofisticado hotel da capital. Evento destinado, segundo os organizadores, a apresentar ao varejo seus produtos e inovações nos segmentos de moda, tosa e lifestyle, (aliás, nem sei direito o que querem dizer com lifestyle).

Uma leitura mais atenta, porém, revela a violência que é a tentativa de humanização destes animais, visando apenas atender ao senso estético humano. Preencher o ego de algumas pessoas e os bolsos de outras.

Nem a desculpa de que o evento angaria fundos para “instituição Cão Guia” me convence, mesmo porque também este tipo de exploração animal é bastante questionável.

A comparação do luxo versos o lixo fica chocante quando lembramos que para cada cão que tem acesso a um colar de pérolas, como os que desfilaram neste evento, milhões não tomam as vacinas básicas! E poucos se preocupam com isso.
Para cada cão que passou por uma tintura na pelagem, milhares morrem 12 anos antes da hora, atropelados, com viroses ou sacrificados nos centros de zoonoses municipais.

Para cada cão que toma banho de ofurô, uma infinidade ainda não comeu hoje, pois não achou nada no lixo!
Outro ponto que tem que ser insistentemente lembrado, é que não só os cães e gatos são animais. Isso, para que possamos ampliar este “amor”, também aos outros animais que são tratados como escravos, como os porcos, as vacas e as galinhas.

“Não sou contra a tecnologia, muito menos contra o luxo, mas o verdadeiro desafio na questão dos cães e gatos, não é fabricar aparelhos médicos mais potentes e modernos, nem acessórios mais caros e cravejados de brilhantes. O verdadeiro desafio, e onde deveriam estar concentrados nossos esforços – e quando digo nossos, digo veterinários, políticos, empresários do mercado Pet, simpatizantes e amantes dos animais – é diminuir a população de cães e gatos em geral e consequentemente o números destes animais excluídos de qualquer tipo de cuidado.

Resolver este quadro é o verdadeiro desafio! Começar falando sobre os problemas, ao invés de enaltecer atitudes egocêntricas e mercantilistas, pode ser um bom ponto de partida.

Veterinário Wilson Grassi
www.wilsonveterinario.com.br

quarta-feira, 4 de maio de 2011

A responsabilidade de ser Protetor de Animais




Ultimamente é frequente o número de pessoas envolvidas com a causa animal que 
desistem , e divulgam isso como se os outros tivessem a obrigação de recolher os seus
 animais e resolver o problema criado por eles. Não bastasse isso, ainda temos outro 
número crescente de protetores que morrem e deixam 70, 100, 200 animais totalmente à 
míngua e entregues à própria sorte. Às vezes quando tomamos conhecimento do caso 
alguns destes animais já morreram por inanição, por brigas, doenças e frequentemente 
nestes casos encontramos o canibalismo. E quem tem condições de absorver estes 
animais se estamos todos superlotados e com dívidas em clínicas e lojas de rações?

Eu sempre digo a todos que o limite entre sanidade mental e desequilíbrio, na proteção 
animal, é muito tênue. Realmente não é fácil lidar com o pior ser humano que existe, um 
ser capaz de mal tratar e cometer as maiores atrocidades com outro totalmente indefeso, 
ou pior, quando esse ser indefeso pertence a esse humano, e vive somente por ele e para 
ele. Recolhemos das ruas animais em situações tão deploráveis que algumas vezes 
tendemos a nos revoltar com “todos” os seres humanos, porém esse é o primeiro passo 
para o desequilíbrio mental, que pode colocar em risco nossa vida, a vida de nossos 
familiares e a vida de nossos resgatados. 

Quando um protetor começa a dizer que “gosta mais de bicho do que de gente”, para 
humanos, geralmente ele é encarado pelos que não o conhecem e não tem conhecimento 
de sua luta como louco, e as pessoas em geral passam a se afastar dele. Entre nós, 
protetores, isso é compreensível por compartilharmos das mesmas vivências, porém quem 
dá esse primeiro passo geralmente dará o segundo que é atacar verbalmente a todos ao 
seu redor, às vezes ataca aos familiares, aos amigos e até os outros protetores que estão 
ao seu lado na militância, também salvando vidas.

O terceiro passo normalmente é o isolamento, a pessoa passa a querer somente a 
companhia dos animais, isola-se do mundo. Normalmente quando chega a este estágio 
já está fazendo tratamento contra depressão ou bipolaridade, já se afastou dos familiares, 
dos amigos, da família, perdeu o emprego, passou a perder a vaidade e, algumas vezes, 
não diferencia a sua vida da vida de seus animais. Então passa a recolher animais das 
ruas indiscriminadamente, como se quisesse, ou se pudesse, resolver a problemática dos 
animais sozinha. Neste ponto o único relacionamento que tem com outras pessoas é para 
pedir ajuda financeira, que dificilmente vem de acordo com o necessário, o que resulta em 
dezenas de animais na casa do protetor... Ambos, animais e humanos, passando 
necessidades. 

Quantos de nós não conhecemos esta história: Protetor sem amigos, sem familiares, 
sem emprego, sem dinheiro, com ordem de despejo e com dezenas de animais.

Já está cada vez mais difícil doar animais, principalmente pelo fato dele não confiar em 
nenhum humano, e se torna cada dia mais perigoso que este protetor se transforme num colecionador

Não existe uma fórmula para evitar que isso aconteça, todos nós estamos sujeitos a isso, 
mas penso que uma base familiar e amigos sinceros são de extrema necessidade para
 nos mantermos equilibrados. No meu caso particularmente, que já estive à beira de chegar 
a este estágio, que abandonei meu emprego, que recolhia animais indiscriminadamente 
sem pensar nas contas, que cheguei a dever em clínicas veterinárias cerca de duas ou 
três vezes o salário que recebo hoje, que pensei em me separar do meu marido porque 
ele tentava de alguma forma brecar meu impulso por recolher animais, que não pensava 
que minha filha, de dois anos na época, precisava de mim, que me afastei dos meus 
amigos, etc.. 



 O que me ajudou foi exatamente a família... Ouvir aos que me amam, com a mente aberta 
para poder absorver tudo aquilo, olhar ao redor e entender que não sou capaz de mudar o
 mundo, nem de salvar a todos os animais, entender que para proteger animais necessito 
estar equilibrada para não proporcionar a eles uma situação, às vezes, 
pior do que a que eles se encontravam antes de serem resgatados, 
perceber que os protetores de animais desequilibrados  e agressivos não são 
levados a sério, não podem levantar uma bandeira nunca atingirão os seus objetivos 
na sociedade por não possuírem o potencial de credibilidade necessário para 
defender a causa, aprender resgatar animais de acordo 
com a minha capacidade financeira de lhes proporcionar tudo o que for necessário 
para seu tratamento enquanto estiver sob minha guarda, com a consciência de 
que ninguém tem a obrigação de me ajudar, e principalmente, pensar no amanhã.



Se amanhã eu não estiver mais neste mundo o que será de meus animais? Será que meu
marido merece se transformar em protetor de animais de forma obrigatória? Será que ele
terá condições de cuidar da casa, dos filhos e dos animais sozinho? Será que ele quer
isso? Será que ele merece?... Ele não é protetor de animais, eu quem sou.

E seu eu morasse sozinha com 50 animais e morresse, o que seria deles?

Se você ama animais pense nisso, lembre-se que nenhum de nós tem garantia de vida 
neste planeta, pense que os animais sob sua guarda não podem se defender, e são 
totalmente dependentes de você. Lembre-se que a morte faz parte da vida e preocupe-se 
com o que será deles amanhã se você morrer hoje.

E pra você que decidiu deixar a causa animal porque tudo o que descrevi acima aconteceu 
com você, lembre-se que ninguém tem a obrigação de assumir o seu compromisso ou de 
resolver os seus problemas. Saia da causa de cabeça erguida, e doe antes todos os 
animais que estão sob sua guarda, assuma a responsabilidade pelo que fez, se você 
resgatou cabe a você doar... Essa obrigação é sua, de mais ninguém.


O QUE É SER UM PROTETOR DE ANIMAIS





O QUE É SER UM PROTETOR E ANIMAIS?
                                                                    por Lilian Rockenbach 


Hoje em dia a proteção animal virou um modismo. Muita gente acha bacana dizer que é “Protetor de Animais”, mas o que exatamente ser um “Protetor de Animais”?
Para começar gostaria de esclarecer que proteger animais não é chamar uma ONG ou ligar para um protetor independente quando um animal está sendo mal tratado. Proteger animais também não é ficar no computador apenas repassando pedidos de ajuda, nem se sentir no direito de exigir e cobrar que pessoas ligadas a causa façam o que você considera certo fazer. Estas são apenas formas de divulgar ações e necessidades ligadas a causa, e não a proteção em sua essência.

Em primeiro lugar é importante saber que protetores de animais são pessoas iguais a você, eles trabalham, estudam, possuem família, filhos, quintal pequeno, moram em apartamento em alguns casos, mas decidiram arregaçar as mangas e fazer a diferença. Um dia desses eu ouvi que “ser protetor de animais é um apostolado”, e isso significa você dedicar sua vida, seu tempo e seu dinheiro a uma causa que muito provavelmente “nunca” lhe trará nenhum retorno material. Consiste também em mudar seus hábitos alimentares (parar de consumir carne), hábitos de diversão (rodeios, vaquejadas, touradas, feiras de exposição, de exploração, de competição, etc.), hábitos de consumo (roupas de origem animal como casacos de pele, etc.), hábitos em geral.

O “protetor de animais” muda sua visão em relação a vida, passa a respeitar toda forma de vida, passa a lutar pela defesa dos direitos dos animais, pela castração, pela adoção, por leis mais rígidas e que os defendam, pela conscientização da população, contra a exploração animal em todas as suas formas, contra o comercio de animais, etc.

Ninguém muda estes hábitos facilmente, nenhuma pessoa que conheço  amanheceu e disse: a partir de hoje sou um protetor de animais e vou deixar de fazer tudo o que fiz a minha vida inteira. A vontade de ajudar nos impulsiona a levantar e ir, com o tempo criamos cada vez mais a consciência em relação aos assuntos relacionados à causa, nossos hábitos são mudados aos poucos e gradativamente. É uma luta pessoal contra nós mesmo, e em alguns casos, contra nossos familiares que não conseguem entender e aceitar essa mudança.

Ser um “protetor de animais” é ter responsabilidade social de maneira totalmente independente da caridade. Promover a conscientização em relação ao respeito dos animais é uma das bandeiras mais importantes da causa, fazer com que as pessoas enxerguem que o animal tem uma vida que precisa ser respeitada, é uma batalha constante. Os animais existem da mesma maneira que todos nós, possuem suas individualidades e não estão aqui para nos servir.

Os defensores dos animais devem ser felizes com sua bandeira, devem se orgulhar do que fazem. Se defender animais te trouxer algum tipo de angústia, talvez seja a hora de repensar e mudar de causa. Os animais precisam de pessoas sensatas, que estejam sempre empenhadas em aprender, que estejam dispostas a tentar mudar o mundo, mas se conseguirem mudar apenas a pessoa que está ao seu lado, já fizeram muito mais do que 99% da população. Os animais não podem se defender, eles só têm a nós, seres humanos, para defendê-los, e exatamente por isso temos que nos manter equilibrados para fazê-lo, e fazer com prazer, paixão e de maneira otimista. Pessoas agressivas e desacreditadas, não apenas na causa animais mas em todas as causas, geralmente não conseguem atingir seus objetivos na sociedade, pois não conseguem desenvolver o potencial necessário para valorizar a causa que defendem.


Tenha sempre a frente, e como referência, pessoas inseridas na causa e que desenvolvam um trabalho baseado na seriedade e, acima de tudo, idoneidade. Fuja dos falsos protetores, pessoas que estão inseridas na causa tentando tirar benefícios materiais ou prestígio. Acredite em você e em seus objetivos, arregace as mangas e faça, não tenha projetos alimentados apenas pela esperança, estabeleça objetivos e metas, faça você também a diferença. Pense qual a melhor forma de ajudar os animais, quais os seus pontos fortes, se você gostaria de trabalhar com resgates, com adoção, com maus tratos, com educação, contra exploração, etc. Acredite em você, e dê o seu melhor.

Abrace uma causa, qualquer causa, mas faça-o com responsabilidade e de coração aberto. Mude seus conceitos, abandone os preconceitos e faça a diferença.

Existem 3 tipos de pessoas: As que fazem acontecer, as que deixam acontecer e as que perguntam o que aconteceu? (John Richardson Jr)